O problema não é o colaborador. É a falta de feedback

Por: Raquel Renovato -

Equipes desmotivadas, com desempenho inconsistente ou altos índices de rotatividade costumam acender o alerta em muitas lideranças. A reação imediata, muitas vezes, é atribuir a responsabilidade aos colaboradores. No entanto, especialistas em gestão de pessoas concordam: quando o desempenho do time está abaixo do esperado, o que geralmente falta é uma cultura estruturada de feedback estratégico.

Ignorar a importância do feedback significa abrir mão de uma ferramenta estratégica de comunicação, desenvolvimento e alinhamento. Mais do que um “retorno pontual”, o feedback é um processo contínuo de gestão — e, quando bem implementado, transforma resultados.

Este artigo, explora por que a ausência de feedback impacta diretamente o desempenho das empresas e quais estratégias práticas podem ser aplicadas para construir um ambiente de trabalho baseado em desenvolvimento, reconhecimento e resultados reais.

(Reprodução da Internet)

Por que a falta de feedback é um problema grave?

1. Falta de direção

Colaboradores que não recebem retorno sobre seu desempenho atuam no escuro. Sem validação ou correção, o risco de seguir com comportamentos improdutivos ou desalinhados com a estratégia da empresa aumenta consideravelmente.

2. Baixo engajamento

Reconhecimento está diretamente ligado ao engajamento. A ausência de feedback positivo reduz o senso de pertencimento. Segundo a Gallup, funcionários que recebem feedback frequente têm 3,6 vezes mais chances de estar engajados.

3. Reforço de falhas

Quando falhas não são apontadas com clareza e objetividade, tendem a se repetir. O custo? Pode variar entre retrabalho, desperdício de tempo e, em casos críticos, prejuízo à imagem da empresa.

4. Alta rotatividade

A falta de diálogo frequente gera insegurança. Colaboradores que não enxergam possibilidade de crescimento ou não entendem o que precisa ser aprimorado, acabam buscando outras oportunidades.

 

Feedback não é julgamento. É ferramenta de gestão.

Muitos gestores ainda associam feedback ao confronto, o que impede sua aplicação de forma estratégica. Na realidade, trata-se de uma ferramenta que potencializa a performance quando utilizada com método e frequência.

Entre os principais benefícios do feedback estruturado:

  • Aumento da produtividade
  • Alinhamento de expectativas
  • Correção de falhas com agilidade
  • Desenvolvimento contínuo de competências
  • Reforço de comportamentos positivos
  • Fortalecimento da confiança entre líderes e equipe

 

Feedback estratégico deve:

  • Ter intenção clara (ajuste, reconhecimento ou desenvolvimento)
  • Ser baseado em fatos observáveis e comportamentos
  • Trazer sugestões práticas
  • Estimular escuta ativa e diálogo

 

Exemplos práticos: o que acontece com e sem feedback

Cenário 1 – Sem feedback Joana, coordenadora de vendas, observa que um dos representantes está com desempenho abaixo da média. Em vez de conversar, ela apenas reforça as metas e cobra resultados. O colaborador segue desmotivado e, após três meses, pede desligamento.

Cenário 2 – Com feedback Joana agenda uma reunião individual, apresenta dados, aponta o que pode melhorar, oferece suporte e propõe um plano de ação. O colaborador entende o que precisa fazer, sente-se valorizado e, em dois meses, melhora seus indicadores.

 

Como estruturar uma cultura de feedback eficiente

1. Diagnóstico de pessoas

Antes de implementar qualquer processo de feedback, é fundamental compreender o cenário atual da equipe. Um bom diagnóstico revela pontos críticos que impactam produtividade, motivação e resultados financeiros.

Ferramentas aplicáveis:

  • Entrevistas individuais com colaboradores
  • Pesquisa de Clima Organizacional (formulários quantitativos e qualitativos)
  • Análise dos subsistemas de RH (recrutamento, avaliação, benefícios, desenvolvimento etc.)

2. Formação da liderança

Gestores devem ser preparados para conduzir conversas de feedback de forma técnica e humana. A capacitação envolve:

  • Técnicas de escuta ativa
  • Comunicação assertiva
  • Linguagem não violenta
  • Gestão de conflitos

Treinamentos práticos e roleplays ajudam a consolidar essas habilidades.

(Reprodução da Internet)

3. Padronização de formatos

Estruturar o tipo de feedback aplicado em diferentes situações garante coerência e maturidade na comunicação interna.

Formatos recomendados:

  • Feedback pontual (imediato, relacionado a ações específicas)
  • Reuniões periódicas de 1:1 (mensais ou quinzenais)
  • Avaliações de desempenho por competência (semestrais ou anuais)
  • Feedback 360º (envolvendo colegas, subordinados e gestores)

4. Indicadores para orientar a conversa

Basear o feedback em dados minimiza interpretações subjetivas. Alguns indicadores úteis:

  • Entregas e cumprimento de metas
  • Qualidade técnica das tarefas
  • Postura colaborativa e relacionamento
  • Absenteísmo e pontualidade

O uso de dashboards facilita esse acompanhamento de forma visual e transparente.

5. Estímulo à cultura do reconhecimento

Nem só de correções vive uma cultura de feedback. Reconhecer desempenhos positivos reforça o comportamento desejado e fortalece a autoestima profissional.

“Pessoas fazem o certo quando recebem reconhecimento pelo que fazem bem.” — Ken Blanchard

Crie rituais de celebração (mensagens públicas, premiações simbólicas, elogios formais) para promover essa cultura.

6. Canais e escuta ativa

Feedback deve ser via de mão dupla. Estimule os colaboradores a também darem retorno sobre processos, lideranças e práticas. Isso promove melhoria contínua e senso de pertencimento.

Ferramentas como caixas de sugestões digitais, formulários anônimos e pesquisas pulse podem ajudar.

7. Feedback como rotina de gestão

O feedback deve estar presente em diferentes ritos da cultura organizacional:

  • Onboarding de novos colaboradores
  • Reuniões semanais de equipe
  • Avaliações trimestrais
  • Check-ins de desempenho em programas de desenvolvimento

Estratégias para implementação bem-sucedida

  1. Patrocínio da alta liderança: o exemplo vem de cima. CEOs e diretores devem apoiar e praticar o feedback regularmente.
  2. Piloto em áreas específicas: comece em um departamento com boa receptividade e amplie gradualmente.
  3. Tecnologia a favor: use plataformas de avaliação, registro de feedbacks e indicadores para apoiar o processo.
  4. Comunicação clara: informe a todos sobre o que é o feedback, por que será implementado e como será conduzido.
  5. Acompanhamento com KPIs: meça engajamento, performance, clima e turnover. Isso ajuda a mostrar os ganhos do processo.
  6. Ajustes contínuos: ouça os envolvidos, colete feedback sobre o próprio processo e melhore continuamente.

 

Feedback, feedforward e avaliação de desempenho: entenda a diferença

  • Feedback: retorno sobre comportamentos passados
  • Feedforward: orientação voltada para ações futuras
  • Avaliação de desempenho: ferramenta mais ampla, com foco em competências e metas periódicas

Adotar as três práticas, de forma integrada, promove uma cultura de crescimento.

Dados que comprovam a importância do feedback

  • A Gallup mostra que colaboradores que recebem feedback frequente têm 3,6x mais chances de estarem engajados.
  • A Zippia aponta que 69% dos profissionais trabalhariam melhor se sentissem seus esforços reconhecidos.
  • A SHRM indica que empresas com cultura sólida de feedback têm 14,9% menos turnover.

 

Benefícios de uma cultura de feedback bem implementada

  • Redução do turnover
  • Equipes mais produtivas e engajadas
  • Melhoria contínua dos processos
  • Liderança mais próxima
  • Colaboradores mais autônomos e preparados
  • Alinhamento entre cultura, performance e resultado

 

Conclusão: feedback é gestão de verdade

Os desafios de performance raramente são resolvidos com pressão, controle excessivo ou mudanças de equipe. O que faz a diferença é uma cultura de gestão pautada no diálogo, clareza de expectativas e desenvolvimento contínuo.

Empresas que estruturam uma cultura de feedback colhem resultados tangíveis: menor rotatividade, mais produtividade e um ambiente saudável para crescer.

 

Se sua empresa quer desenvolver lideranças mais preparadas e engajar sua equipe com estratégia, o ponto de partida está no feedback.

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